Sobre a tal "ditabranda" da Folha

É chocante como as mídias e o poder vigente usam a tal falta memória do povo brasileiro para minimizar e manipular informações a seu bel prazer e interesse. Para atacar os novos líderes "esquerdistas" (ponho entre aspas, porque não os considero líderes revolucionários, como no governo "operário" brasileiro) que tomam poder na América Latina, a Folha de S.Paulo cunhou o termo "ditabranda" para se referir à ditadura militar no Brasil. No editorial publicado no dia 17 de fevereiro: "Mas, se as chamadas `ditabrandas´ - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso".
Basta saber quem chama um regime que vitimou centenas (se não milhares) de pessoas, muitas delas ainda desaparecidas, de brando. A Folha esteve do lado da ditadura. Em texto de Gilson Caroni Filho, no Observatório da Imprensa, ele afirma que houve inclusive"o empréstimo de peruas C-14 do jornal para transporte de presos".
O debate segue longo na internet. Uma manifestação reuniu cerca de 300 pessoas na frente da sede do jornal, na rua Barão de Limeira, no último sábado e o jornal acabou se retratando. Blogueiros afirmam que um dos motivos foi o grande número de cancelamentos de assinaturas. O blog do Rodrigo Viana afirma que foram cerca de 2 mil cancelamentos.
Uma charge (abaixo) de Carlos Latuff pretende resumir o espírito da coisa toda.

Colunistas do jornal tentam, a fim de minimizar a caca toda, atribuir a repercussão do texto a uma polarização esquerda x direita. Então dá para concluir que defender a tortura, o regime de exclusão e perseguição é legítimo e quem o critica é radical de esquerda, simples assim. É minimizar demais a coisa toda.

A tal democracia brasileira que veio depois do fim da ditadura é bem carregada ainda de seus personagens. Boa parte dos governadores e prefeitos biônicos daquele período, que estão vivos, ainda estão no poder como deputados federais, senadores... Assim, depois de quase vinte e cinco anos do fim do militarismo, não é nenhuma surpresa tentarem minimizar esse período da história, que ainda está bem vivo na memória de muitos, mas não de todos.
O mesmo não acontece com a ditadura Vargas (1937-1945), que foi também truculenta e violenta, com perseguições e tortura. Olga Benário Prestes foi entregue por Vargas aos nazistas, quando ele estava bem alinhando com o Reich. O seu regime populista é o único que se cita por aí e, graças a essa desmemória, o Senado pretende incluí-lo no livro dos Heróis da Pátria. Mais uma "ditabranda" pros anais.

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Sobre o caso Folha, extensa cobertura no Observatório da Imprensa: cito os textos de Alberto Dines e Eugênio Bucci.
Marcelo Coelho tenta ver o outro lado da história em seu blog.

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Sobre a ditadura Vargas, o blog Era Vargas: o outro lado compila documentos deste outro período de exceção da nossa história

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