Uma festa constrangedora

Foi no mesmo dia em que aconteceu o primeiro Grind em Brasília, há pouco mais de um ano. Essa é uma festa tradicionalíssima da casa A Loca, de São Paulo, que eu freqüentei durante uns bons anos da minha vida. Depois que me mudei para Brasília, consegui ir em apenas duas. Quando anunciaram a festa já fazia bem uns três anos que tinha ido, entrou na agenda imediatamente.
Mas não foi essa a festa lamentável. Fui convidada para um jantar, que aconteceria no mesmo dia. Avisei do meu compromisso, mas o anfitrião insistiu, dizendo que ia acabar cedo e que nos daria uma carona pro Grind. Não entendi direito do que se tratava, mas acabamos dizendo que nessas condições tudo bem. No fim convidamos mais um amigo, que iria conosco para a festa, para aproveitar a carona.
Chegamos na hora combinada, por volta das 20h, fomos os primeiros. Até aí, tudo bem. Achei estranho os outros convidados começarem a chegar apenas às 22h. Bebemos um pouco de vinho e ficamos num canto, assistindo uns vídeos.
Os tais convidados, para quem o jantar foi oferecido, eram da turma de massagem (?) do anfitrião. Me intrigou o fato de nenhuma das pessoas combinar com as outras, ninguém parecia pertencer ao mesmo grupo.
O jantar, no fim, foi um lanche regado a muita bebida. Foi aí que as situações começaram a acontecer.
Uma negona começou a gritar num grupinho de mulheres que "de homem eu entendo!". Repetiu isso umas dez vezes. Ao mesmo tempo, seu namorado, um tipo gordinho, meio nerd, dava em cima do nosso amigo com força, convidando-o para um barzinho aconchegante em Brazlândia, certamente longe dos olhos da "entendedora de homens".
Uma menina falava do seu namorado o tempo todo. Até que ele apareceu por ali e aconteceu uma daquelas cenas pré-fabricadas de sessão da tarde.
Como não conseguia me socializar com aqueles seres, fiquei no cantinho assistindo A Marcha dos Pinguins no repeat. O incrível é que, naquela situação, o filme me pareceu o mais divertido do mundo.
De repente me apareceu um garoto, menor de idade, emaconhado por alguém e falando disso o tempo todo. Alguém riu da situação e eu lembrei que aquilo podia dar uma merda grande.
Aquilo tudo foi me constrangendo até que cheguei no limite. Uma louca começou a gritar que paulista nenhum presta, um bando de cretinos, entre outras coisas ainda piores.
Olhei no relógio e já era mais de uma da manhã. O anfitrião tava em petição de miséria e percebi que a carona tinha miado. Puta da vida, pedi um taxi.
Detalhe, ir nesse jantarzinho fez dobrar a conta do taxi, já que a minha casa era exatamente o meio do caminho entre onde estávamos e onde seria realizado o Grind.

P.S.: O Grind foi ótimo, dancei para caramba ao som do Pomba e de Las Bibas from Vizcaya, além de morrer de rir com a performance trash de Michael Love, sempre ótimo, como me lembrava.

Comentários

Postagens mais visitadas