Magnum 60 anos


Rene Burri
Centro de São Paulo, Brasil, 1960


Comecei a visitar exposições de arte cedo. Lembro que quando tinha dez anos forcei todos de casa a me levar à Bienal de Arte de São Paulo. A memória ainda é nítida das quatro horas que passamos visitando instalações e vendo quadros.
Apesar disso, eu não gostava de fotografia, não via muito sentido. Isso até ser apresentada a Henri Cartier-Bresson e Robert Capa na faculdade de jornalismo.
No período em que estudei esses fotógrafos, tive a oportunidade de ver uma exposição deles (não me lembro se tinha mais algum fotógrafo) no MAM. Foi o suficiente para virar amante da fotografia. Depois vieram os amigos fotógrafos, que aprofundaram um pouco o gosto pela coisa.

Está em Brasília a exposição Magnum 60 anos, que conta a história desta grande agência fotográfica com uma seleção de fotos emblemáticas. Ao passar por uma exposição desse tipo, costumo primeiro observar a obra e somente depois olhar o crédito. Uma foto dessa mostra me chamou a atenção em especial, um ar familiar me transportou para o cenário, visto de uma perspectiva não muito convencional. Eu apenas murmurei: São Paulo. E era mesmo, a primeira do Brasil que vi na exposição. A foto de Rene Burri reproduziu a sensação da minha terra natal, numa imagem que poderia ser de qualquer cidade do mundo.

A exposição está na Caixa Cultural, em Brasília, até o dia 25 de maio, próximo fim de semana. O mesmo Robert Capa abre a exposição, que encerra com Henri Cartier-Bresson, ou vice-versa, se preferir. A mostra se divide em capítulos: "tradição documental", "momentos", "retratos", "outras perspectivas" e "fotografia documental contemporânea". É possível ver o trabalho de, além dos já citados fundadores da agência, Stuart Franklin, Susan Meiselas, Steve McCurry, Paolo Pellegrin, Alex Majoli, Alex Webb, Jonas Bendiksen, entre outros.

"Em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, um grupo formado de quatro fotojornalistas criou a agência fotográfica Magnum, a mais mítica e famosa do mundo. Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, David 'Chim' Seymor e George Rodner exploraram uma dimensão humanística de imagem, apresentando uma revolução da linguagem e de procedimentos. A instituição foi organizada como uma cooperativa de fotógrafos independentes entre si, permitindo aos seus membros a liberdade para propor projetos individuais, o direito de posse de negativos, a edição e a assinatura de ensaios".
João Kulcsár, curador da mostra, em Magnum, testemunha da história.

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