Apocalipse Motorizado
Eu nunca tive um carro. Tentei tirar a habilitação uma vez, não deu certo e desisti. Pura desmotivação de andar de carro.
Quando eu morava muito longe, pensava no tempo que poderia usar para dormir no ônibus. Quando me mudei para perto da Paulista, pra que carro? Eu tinha metrô e ônibus e nos momentos que eu realmente precisaria de carro, para voltar da balada, sempre foi melhor voltar de taxi, porque dirigir alcoolizada é um perigo.
Ao chegar em Brasília, todos falavam do indispensável de se ter carro por aqui. Estou na cidade há seis anos e até hoje a ausência do carro não me privou de nada que eu quisesse realmente fazer.
Logo que aportei na cidade li um artigo que falava sobre os mutantes brasiliense-de-cabeça-tronco-e-rodas, já que a cidade foi feita como uma apologia ao mercado automobilístico que acabava de se instalar no Brasil. Assim, Brasília, uma cidade planejada, tem pouquíssimas estações de metrô, que até ano passado funcionava apenas de segunda a sexta, até as 20 horas. Se não bastasse isso, o sistema de ônibus da cidade é o pior do país, a maioria das linhas só funcionam durante a semana, já que todo mundo deveria ter carro por aqui.
É o caos, mas eu resisto e vou à pé para o trabalho e para boa parte dos lugares que frequento. Muitas vezes pego carona, mas quando preciso ir a algum lugar mais longe, apelo pro taxi, que, de vez em quando, não sai tão caro assim.
O que percebo é que o carro, na verdade, não é apenas um meio de transporte. É, principalmente, uma relação de poder com o resto do mundo. Qualquer cidadão padrão de classe média que adquire seu primeiro carro zero, pode ser aquele popular mais barato, dividido até 70 meses, já que o cara não tem condições financeiras para isso, esse cidadão se sente mais poderoso que os demais mortais. Exemplo disso foi o meu pai, que nunca teve um plano de saúde decente, mesmo vivendo no médico, mas adquiriu seu primeiro carro zero com aplausos de praticamente todos a sua volta.
Fora isso, tem os adeptos da tirania da carona, que a oferecem como um favor, mas acabam deixando o convidado refém de seus compromissos e de sua "boa vontade". Claro que tenho amigos que sempre foram gentis em suas caronas, nada pode ser generalizado.
A maioria das cidades vive o caos dos congestionamentos, associado à poluição e aos problemas relacionados aos combustíveis.
Hoje o mundo vive um panorama de guerras motivadas pelo controle do petróleo. Quando o biocombustível for a bola da vez, além da anunciada crise de alimentos, será que não enfrentaremos guerras para o controle das áreas produtoras? O Brasil poderá até se tornar o equivalente ao Iraque, no que diz respeito à produção de combustível para o mundo. Ai!
Esse debate está presente no livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel num Planeta Poluído, que pode ser baixado na Loja da Conrad.
Não sou tão radical quanto o autor, que prega que os carros devem ser extintos, mas acho que é preciso que cada um pense mais no quanto é dependente dos automóveis (e de seu status). O livro inspirou um blog, Apocalipse Motorizado, que é dedicado a discutir esse assunto e pode ser uma boa fonte.
Quando eu morava muito longe, pensava no tempo que poderia usar para dormir no ônibus. Quando me mudei para perto da Paulista, pra que carro? Eu tinha metrô e ônibus e nos momentos que eu realmente precisaria de carro, para voltar da balada, sempre foi melhor voltar de taxi, porque dirigir alcoolizada é um perigo.
Ao chegar em Brasília, todos falavam do indispensável de se ter carro por aqui. Estou na cidade há seis anos e até hoje a ausência do carro não me privou de nada que eu quisesse realmente fazer.
Logo que aportei na cidade li um artigo que falava sobre os mutantes brasiliense-de-cabeça-tronco-e-rodas, já que a cidade foi feita como uma apologia ao mercado automobilístico que acabava de se instalar no Brasil. Assim, Brasília, uma cidade planejada, tem pouquíssimas estações de metrô, que até ano passado funcionava apenas de segunda a sexta, até as 20 horas. Se não bastasse isso, o sistema de ônibus da cidade é o pior do país, a maioria das linhas só funcionam durante a semana, já que todo mundo deveria ter carro por aqui.
É o caos, mas eu resisto e vou à pé para o trabalho e para boa parte dos lugares que frequento. Muitas vezes pego carona, mas quando preciso ir a algum lugar mais longe, apelo pro taxi, que, de vez em quando, não sai tão caro assim.
O que percebo é que o carro, na verdade, não é apenas um meio de transporte. É, principalmente, uma relação de poder com o resto do mundo. Qualquer cidadão padrão de classe média que adquire seu primeiro carro zero, pode ser aquele popular mais barato, dividido até 70 meses, já que o cara não tem condições financeiras para isso, esse cidadão se sente mais poderoso que os demais mortais. Exemplo disso foi o meu pai, que nunca teve um plano de saúde decente, mesmo vivendo no médico, mas adquiriu seu primeiro carro zero com aplausos de praticamente todos a sua volta.
Fora isso, tem os adeptos da tirania da carona, que a oferecem como um favor, mas acabam deixando o convidado refém de seus compromissos e de sua "boa vontade". Claro que tenho amigos que sempre foram gentis em suas caronas, nada pode ser generalizado.
A maioria das cidades vive o caos dos congestionamentos, associado à poluição e aos problemas relacionados aos combustíveis.
Hoje o mundo vive um panorama de guerras motivadas pelo controle do petróleo. Quando o biocombustível for a bola da vez, além da anunciada crise de alimentos, será que não enfrentaremos guerras para o controle das áreas produtoras? O Brasil poderá até se tornar o equivalente ao Iraque, no que diz respeito à produção de combustível para o mundo. Ai!
Esse debate está presente no livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel num Planeta Poluído, que pode ser baixado na Loja da Conrad.
Não sou tão radical quanto o autor, que prega que os carros devem ser extintos, mas acho que é preciso que cada um pense mais no quanto é dependente dos automóveis (e de seu status). O livro inspirou um blog, Apocalipse Motorizado, que é dedicado a discutir esse assunto e pode ser uma boa fonte.
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