Mais sobre o retorno ao Ciclo da Cana

Não faz muito que escrevi sobre a preocupação que me causa esse alvoroço todo por conta do etanol e a possível exportação do álcool brasileiro em larga escala.Ontem saiu uma entrevista esclarecedora sobre o assunto, no caderno Mais, da Folha de São Paulo. O texto se chama Cana de Assucar (encontrei essa reprodução num clipping).
Reproduzo abaixo alguns trechos que me chamaram a atenção:
"Relator especial da ONU sobre o direito à alimentação, o sociólogo suíço Jean Ziegler ataca a 'refeudalização' da sociedade e acusa o Brasil de aumentar a fome no mundo ao investir no etanol derivado da cana-de-açúcar"

É bom lembrar que Ziegler sempre foi um grande defensor do governo Lula e apoia projetos como o Bolsa Família, mas ataca fortemente o biocombustível. Na entrevista à Folha, ele defendeu sua posição:
"Os dois maiores sociólogos da história do Brasil, Gilberto Freyre e Fernando Henrique Cardoso, em seus livros mais famosos, "Casa-Grande e Senzala" e "Capitalismo e Escravidão", defendem a mesma tese: a cana-de-açúcar é a desgraça do país. Latifúndio, fome, subdesenvolvimento, miséria, tudo isso vem do açúcar. Milhares de cidades e vilarejos passam a ser cercados por esse monstro, que é a cana-de-açúcar".
E continua: "em vez de o PT promover a agricultura familiar, volta ao açúcar, que significa concentração de terras nas mãos das multinacionais e das oligarquias".

Ao ler isso, lembrei do pano de fundo do filme Baixio das Bestas, que vi recentemente, já que a cidade em que se passa o filme é rodeada de plantações de cana. Quando vi o filme, pensei em Rio Tinto, na Paraíba. Nos meses que passei lá era só o que se via no horizonte, o clarão do céu com a cana queimando e uma sociedade passando necessidade.
Será isso desenvolvimento?

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