Sou artista
“Uma lancha azul nos esperava no Manaus
Harbour. Nas duas curvaturas da proa,
o nome da embarcação em letras brancas:
O Artista da Ilha”.
Milton Hatoum: Cinzas do Norte
Dar um entrevista a um jornal para falar de um livro-disco-filme-exposição que nunca farei. Não é necessário dizer nada, é este o meu impulso. Quero ser apenas mais uma a ser admirada, porque minha vida está muito vazia de atenção inútil e da dedicação de pessoas que desprezo.
Possivelmente darei uma festa pomposa como pré-lançamento deste meu livro-disco-filme-exposição que nunca farei. E será o melhor pré-lançamento de que se terá notícia. Outros artistas multimídia, como eu, farão projeções de fragmentos de projetos pelas paredes, enquanto sons indie-modernosos darão a pontuação necessária para que falemos sobre nossos processos criativos e a grandeza de nossas existências nesse mundo ordinário repleto de seres menores: os não-artistas.
Porque é isso o que importa na vida, o resto é a morte desprezível dos normais.
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