Danifica o homem

A trabalha como faxineira numa repartição pública e está desenvolvendo uma alergia misteriosa. Os médicos suspeitam do produto vagabundo que compram via licitação (que tem sempre que ter o menor preço). A fonte do seu sustento virou sua doença.

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B trabalha com comunicação. Como não tem emprego fixo, se vira em três para atender todos os clientes freelancer e suas demandas urgentes. Dorme mal. Come mal. Está internado com úlcera.

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C trabalha numa fábrica tampando frascos, mas seus braços precisam fazer mais que isso. Só que não podem mais, pois o esforço repetitivo gerou uma inflamação que impede o uso das mãos para atividades minuciosas. A carta de demissão chegou logo após o atestado.

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D se formou em medicina e passou em um concurso para trabalhar num posto de saúde. Seu plano de metas exige que seja atendido um paciente a cada dez minutos. Como o seu salário precisa de complementação, ainda faz alguns plantões numa clínica particular. Com a jornada carregada e o acesso fácil, se tornou viciado nas drogas disponíveis nos lugares que trabalha. O nível de estresse, gerado pelo trabalho feito sempre sem muita confiança, o impede de dormir adequamente.

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“No fundo, sente-se agora […] que um tal trabalho é a melhor polícia, que retém cada indivíduo pelo freio e que sabe impedir com firmeza o desenvolvimento da razão, do desejo e do prazer da independência. Pois faz despender enorme quantidade de energia nervosa, e subtrai essa energia à reflexão, à meditação, ao sonho, à inquietação, ao amor e ao ódio.”
Friedrich Nietzsche

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