Diferente
Ontem peguei o elevador com uma senhora bonita, mas que tinha a pele coberta por verrugas. Seus braços, seu colo e, principalmente, seu rosto eram todos pipocados pequenas bolinhas de pele que deformavam sua pele e deixavam seu nariz com um aspecto estranho. Estranho aos que se acham iguais.
Não existia ameaça nenhuma em seu aspecto diferente. Na época da faculdade, fiz um trabalho, que no fim ficou sofrível diante da grandeza do tema, sobre uma doença de pele autoimune. No meio dos estudos, descobri que 99,9% das doenças de pele não são contagiosas nem oferecem nenhum risco aos que se aproximarem.
Claro que aquela senhora não iria colocar em risco a dezena de pessoas que estava no elevador em um prédio público na capital federal. É óbvio que não. Mas a maioria das pessoas mal conseguia disfarçar a repugnância diante daquela imagem fora dos padrões.
Imagino o quão escandaloso pode ser alguém tão diferente em meio a pessoas que querem ser tão iguais, cheias de botox, colágeno, chapinhas, roupas padronizadas.
Ela seguia altiva, ou apenas firme. Fiquei observando a coisa toda e, nos poucos minutos em que o elevador subia, o incômodo me corroia. Se isso acontecia comigo em minutos, pensei em como seria viver assim todo o tempo, tendo que encarar pessoas que te olham com nojo, espanto, ou sei lá mais como. Uma vida em alerta constante em um mundo que preza o superficial.
Não existia ameaça nenhuma em seu aspecto diferente. Na época da faculdade, fiz um trabalho, que no fim ficou sofrível diante da grandeza do tema, sobre uma doença de pele autoimune. No meio dos estudos, descobri que 99,9% das doenças de pele não são contagiosas nem oferecem nenhum risco aos que se aproximarem.
Claro que aquela senhora não iria colocar em risco a dezena de pessoas que estava no elevador em um prédio público na capital federal. É óbvio que não. Mas a maioria das pessoas mal conseguia disfarçar a repugnância diante daquela imagem fora dos padrões.
Imagino o quão escandaloso pode ser alguém tão diferente em meio a pessoas que querem ser tão iguais, cheias de botox, colágeno, chapinhas, roupas padronizadas.
Ela seguia altiva, ou apenas firme. Fiquei observando a coisa toda e, nos poucos minutos em que o elevador subia, o incômodo me corroia. Se isso acontecia comigo em minutos, pensei em como seria viver assim todo o tempo, tendo que encarar pessoas que te olham com nojo, espanto, ou sei lá mais como. Uma vida em alerta constante em um mundo que preza o superficial.
Comentários
Bjão.
Adriano