Bárbaro tu
“Quando chega o momento de se embriagarem, como é seu costume, quando devoram alguma vítima, fazem de uma raiz uma bebida que chamam Kawi; bebem-na toda e matam o prisioneiro. Em a noite seguinte, ao beberem à morte do homem, cheguei-me para a vítima e perguntei: ‘Estás pronto para morrer’. Riu-se e me respondeu: ‘Sim’. A corda com que amarram os prisioneiros, mussuarana, é de algodão e mais grossa do que um dedo. ‘Sim', disse ele 'estou pronto para tudo’. Somente a mussuarana não era bem comprida (faltavam-lhe cerca de seis braças). ‘Sim, nós temos melhores cordas’, disse ele, assim, como quem vai a uma feira”.
Hans Staden, Como devoraram um prisioneiro e me conduziram a esse espetáculo, de Viagem ao Brasil.
Vi Obama conclamar, direta ou indiretamente, o povo a comemorar nas ruas a vingança. A execução de Bin Laden foi noticiada como a revanche do milênio, de um povo que iniciou esse tempo de cabeça baixa e chocado com sua própria fragilidade. Agora não, são de novo a maior nação do mundo.
Barbárie. Um governo supostamente (ou realmente) democrático que não dá direito a julgamento e condenação, mesmo que seja um bandido do nível do que foi assassinado. E o povo bárbaro, comemorando com fogos e batendo seus tacapes no chão.
E Osama (o Bin Laden) era chamado de Gerônimo durante a operação. Gerônimo, o líder apache que lutou pelo seu povo durante a ocupação do território norte-americano. Como alguém disse, que defendeu os seus e não era um terrorista.
Lembrei dos tupinambás, que comiam seus inimigos, no que era uma demonstração de força, claro, mas também de respeito, com ritual conhecido e simbólico.
“Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.”, dizia Oswald de Andrade, no Manifesto Antropofágico.
E nós sempre somos os atrasados, “primitivos”, eles dizem, entre as nações civilizadas. Éramos mais civilizados antes da “civilização” chegar e essa festa da tripudiação nada tem de avançada.
Recomendo:

Hans Staden, Como devoraram um prisioneiro e me conduziram a esse espetáculo, de Viagem ao Brasil.
Vi Obama conclamar, direta ou indiretamente, o povo a comemorar nas ruas a vingança. A execução de Bin Laden foi noticiada como a revanche do milênio, de um povo que iniciou esse tempo de cabeça baixa e chocado com sua própria fragilidade. Agora não, são de novo a maior nação do mundo.
Barbárie. Um governo supostamente (ou realmente) democrático que não dá direito a julgamento e condenação, mesmo que seja um bandido do nível do que foi assassinado. E o povo bárbaro, comemorando com fogos e batendo seus tacapes no chão.
E Osama (o Bin Laden) era chamado de Gerônimo durante a operação. Gerônimo, o líder apache que lutou pelo seu povo durante a ocupação do território norte-americano. Como alguém disse, que defendeu os seus e não era um terrorista.
Lembrei dos tupinambás, que comiam seus inimigos, no que era uma demonstração de força, claro, mas também de respeito, com ritual conhecido e simbólico.
“Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.”, dizia Oswald de Andrade, no Manifesto Antropofágico.
E nós sempre somos os atrasados, “primitivos”, eles dizem, entre as nações civilizadas. Éramos mais civilizados antes da “civilização” chegar e essa festa da tripudiação nada tem de avançada.
Recomendo:

Hans Staden, Retratado de banquete canibal Tupinambá
Comentários