Nois é tudo índio

Tenho muito orgulho de minha origem indígena, com as características antropófagas que herdei dos meus antepassados, mas para o colonizador contemporâneo índio continua sinônimo de incivilizado e atrasado.

O Obama chega amanhã no Brasil e vai fazer discurso em praça pública “para o povo brasileiro” (!?) e já montou um site para sortear espelhinhos(que vêm na forma de ipods e ipads obsoletos) para a nossa gente.



O Brasil tem uma lei de incentivo cultural, a primeira e única feita no país, que se especializou em patrocinar preferencialmente o eixo Rio-São Paulo e especialmente artistas famosos e estabelecidos, que já são podres de rico e recebem bastante com direitos autorais, outra lei que nunca foi alterada.

A Lei Rouanet é de 1991 e teve poucas alterações, que não chegaram a mudar substancialmente seu conteúdo. O sistema de renúncia fiscal foi duramente criticado no seu lançamento, porque obriga artistas a pedir dinheiro para empresários, que muitas vezes interferem na obra e que divulgam suas empresas com dinheiro público, já que o dinheiro destinado ao patrocínio é descontado do imposto de renda.

As críticas cessaram quando o governo seguinte criou os pontos de cultura e outros projetos do gênero que, mesmo representando um valor menor no orçamento, acenaram para a interiorização das verbas culturais, mas esses também já se foram neste início de novo governo.

Bethania pinga uma gotinha a mais no copo cheio de reclamações da classe cultural extremamente insatisfeita, ao pedir 1,3 milhão para um... videolog. Uns defendem com veemência, alguns tentam contextualizar o debate (o texto lincado aqui foi o melhor, depois de todos os seus updates, que li sobre o assunto), outros criticam com veemência e eu fico no mínimo constrangida com uma coisa dessas ser possível num país de terceiro mundo que precisa de vale do governo para reduzir a pobreza.

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