Os independentes: artistas e crítica
Algo me incomoda.
Preâmbulo
Acho este um bom tempo para quem quer produzir coisas (música, livros, audiovisual e por aí vai). A popularização da tecnologia tornou, quem quis, independente de gravadoras, editoras, produtoras, governo. Basta querer e realizar.
Claro que isso provavelmente não trará resultados financeiros, quase sempre traz custos e é preciso ter uma outra fonte de renda que não seja o trabalho criativo, além disso, a pessoa não terá suporte de nenhuma empresa ou instituição para divulgar e distribuir seu trabalho. Mas se a intenção é fazer, os mecanismos para isso estão acessíveis de um jeito que nem se imaginava no final do século passado.
Resultado
Assistimos nascer experiências coletivas na internet, bandas que fazem sucesso depois de colocar material na rede, livros publicados de maneira independente, quadrinhos que se distribuem em rede nacional, festivais de rock independente que viraram um franquia em rincões nunca antes imaginados.
A Sinuca de Bico
Tudo lindo, num mundo ideal. Mas esse sistema de divulgação e produção acabam se fechando num circuito que tem fim em si mesmo. Grupos mais antigos que estruturaram uma rede de distribuição e divulgação acabam selecionando, como uma espécie de curadoria empática, apenas aqueles que lhe são mais simpáticos para fazer parte do meio que antes era de todos, mas agora tem proprietários só porque eles chegaram primeiro. Daí novos produtores não conseguem fazer parte desta cena ideal.
Epitáfio
Preâmbulo
Acho este um bom tempo para quem quer produzir coisas (música, livros, audiovisual e por aí vai). A popularização da tecnologia tornou, quem quis, independente de gravadoras, editoras, produtoras, governo. Basta querer e realizar.
Claro que isso provavelmente não trará resultados financeiros, quase sempre traz custos e é preciso ter uma outra fonte de renda que não seja o trabalho criativo, além disso, a pessoa não terá suporte de nenhuma empresa ou instituição para divulgar e distribuir seu trabalho. Mas se a intenção é fazer, os mecanismos para isso estão acessíveis de um jeito que nem se imaginava no final do século passado.
Resultado
Assistimos nascer experiências coletivas na internet, bandas que fazem sucesso depois de colocar material na rede, livros publicados de maneira independente, quadrinhos que se distribuem em rede nacional, festivais de rock independente que viraram um franquia em rincões nunca antes imaginados.
A possibilidade de quem quer consumir produtos culturais conseguir conhecer e adquirir coisas que lhe agradem aumentou, talvez não na mesma proporção em que a oferta aumentou, mas já não estamos mais restritos apenas ao que as grandes corporações decidem produzir.
O que aconteceu com a produção cultural, também aconteceu às mídias, falo especificamente do meu metiê, já que sou jornalista. Blogues, zines, revistas independentes fazem o papel de divulgar novos trabalhos a quem se interessar.
Normalmente, blogueiros são amigos, ou se tornam, dos produtores culturais e tudo se torna uma grande rede de colegas produzindo e se divulgando.
A Sinuca de Bico
Tudo lindo, num mundo ideal. Mas esse sistema de divulgação e produção acabam se fechando num circuito que tem fim em si mesmo. Grupos mais antigos que estruturaram uma rede de distribuição e divulgação acabam selecionando, como uma espécie de curadoria empática, apenas aqueles que lhe são mais simpáticos para fazer parte do meio que antes era de todos, mas agora tem proprietários só porque eles chegaram primeiro. Daí novos produtores não conseguem fazer parte desta cena ideal.
De outro lado, o processo de divulgação na mídia independente acaba por se restringir a falar apenas dos amigos, ou seja, virou prática fazer crítica chapa branca.
É compreensível que isso tenha acontecido, pois quem se esforçou para montar uma cena do nada quer lá seu reconhecimento. Mas a possibilidade de se produzir não pode voltar a ser limitada depois do que parecia ser a superação das corporações, isso seria uma estupidez sem tamanho.
Também não é aceitável que, com toda a possibilidade de se expressar, seja tabu falar mal de trabalhos independentes com base na justificativa de que foi um esforço individual que não pode ser desmotivado.
Eu caí na besteira de fazer uma crítica deste tipo aqui neste blog, de um trabalho que achei deplorável, e fui espinafrada por um grupo furioso, que tenho quase certeza que nem existe mais.
Epitáfio
Boa sorte àqueles que se acham incríveis ao receber apenas críticas chapa branca. Se eu me mantiver em silêncio é porque achei uma bosta, ou porque tive muita preguiça de escrever algo, viva a dúvida.
Próximo capítulo: Pop arte de elite
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