Sobre filmes (1)

Tenho assistido a alguns filmes interessantes nos últimos meses. Registro rapidamente alguns de que gostei bastante (ou não), outros ficam para depois:

Alice no país das maravilhas


A livre adaptação de Tim Burton para o clássico de Lewis Carroll (o correto seria dizer os clássicos, pois o filme usa trechos de Alice no país do espelho, além do que dá título ao filme) traz uma Alice adulta, que acredita que a sua visita ao país das maravilhas foi um pesadelo de infância, que retorna de vez em quando.
No universo de Burton, Alice tem o mesmo papel do protagonista de História Sem Fim, aquele clássico dos anos 80, com sua versão do dragão branco: ela deve salvar o país das maravilhas do jugo da Rainha de Copas. Sua missão é lutar contra o dragão que legitima o reinado da tirana e salvar o mundo da imaginação, que é bem real na história.
O filme tem praticamente nenhuma semelhança com a versão do Disney em animação, mas é repleto de referências do texto original. A principal delas é a charada do chapeleiro louco: “qual é a semelhança entre o corvo e a escrivaninha”. A charada é repetida no final do filme e ouvimos, quase no final da história, da boca do próprio chapeleiro louco um “não tenho a menor ideia”. Essa foi a resposta que Carroll deu a seus leitores no prefácio da edição de 1897 do livro, uma sutileza no roteiro que me ganhou na homenagem de Burton.
Eu esperava muito pouco do texto original dos livros e o que encontrei foi uma obra com a fotografia bastante inspirada nos desenhos originais de Sr. Tenniel e delicadas citações da história original. Uma bela homenagem, não uma adaptação.






A ilha do medo


O novo filme do Scorcese traz novamente Leonardo Di Caprio (o seu De Niro do momento) como protagonista num filme que parece ter a estrutura de um filme de Hitchcock, com aquele tom de suspense pautado pela música nervosa e uma fotografia que lembra bem os filmes de Hollywood dos anos 50.
A história começa com a chegada do marshall interpretado por Di Caprio e seu assistente num sanatório modelo mantido pelo governo para tratar criminosos com problemas mentais. Os federais têm a tarefa de investigar o desaparecimento de uma das internas. Até aí uma trama de suspense normal, mas o agente, em seus momentos de repouso, tem sonhos surrealistas, que lembram bastante os devaneios dos personagens de David Lynch, como os sonhos do agente de Twin Peaks no quarto vermelho.
Um filme envolvente e com um final nada previsível.




Um homem sério

O novo filme dos irmãos Cohen se passa no meio-oeste dos EUA, aparentemente numa comunidade semelhante à que cresceram, num subúrbio praticamente todo habitado por judeus.
O personagem principal é o pai da família, um homem frágil e professor obstinado com a meta de ser um homem respeitado, de ser um homem sério. Apesar disso tem um filho fugindo da dívida com um traficante (personagem certamente inspirado nos próprios Cohen), uma filha fútil, que só pensa em lavar os cabelos, e uma esposa que decide deixá-lo para viver com o amante.
O filme me lembrou A Era do Rádio, em que o Woody Allen retrata sua infância, mas com o estilo dos Cohen, apesar de que menos cômico que os outros filmes da dupla.




Onde vivem os monstros

Apenas um comentário rápido: achei absolutamente insuportável o personagem principal. Um garoto mimado que causa transtorno por onde passa. Não consegui tirar nada além disso da história. Um porre. Minhas desculpas aos fãs de Spike Jonze.

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