Equivocada
É sempre assim que me sinto quando não sigo meus instintos (ou intuição, se preferir), é meio animal isso, de se proteger de situações estranhas. Mas estou colocando o carro na frente dos bois.
Com a proximidade do meu aniversário sempre começo com essa coisa de "balanço existencial", afinal de contas é meu ano novo particular e a gente sempre tende a querer resetar a vida, como se isso fosse possível. Porém se auto-avaliar nunca é demais.
Tenho estado um tanto solitária. Acho que estou com medo de me relacionar, ou apenas querendo evitar as pessoas para poder pensar. Diminui a quantidade de e-mails, quase não entro em programas de chat, telefone, quase não uso mesmo.
Estar só me fez pensar em quando eu me esforço para ter companhia. Desde que cheguei em Brasília, fiz pouquíssimos amigos. A cidade é bem própria à solidão, pois as pessoas só se relacionam com conhecidos de infância/escola, pessoas do trabalho, ou por origem. Na cidade são poucos os paulistas que eu conheço, que não eram exatamente meus amigos em São Paulo, colegas de trabalho são difíceis de transpor para a vida cotidiana, e eu fiz faculdade virtual aqui.
No fim das contas a gente acaba forçando a barra para não ficar só. Eu nunca fui extremamente sociável, não sei se é coisa da minha cidade (tá, tem muito "popular" em São Paulo), apesar disso tenho bons amigos (muita gente nem acredita que eles existam), mas amizade é coisa que demora anos e anos para se concretizar. Sempre foi muito raro eu "frequentar" pessoas, agora uma coisa eu sempre constato quando isso se dá muito rápido: gente carente não serve para amigo.
Digo isso como via de mão dupla. Quando me sinto muito carente, fico disposta a me entregar a uma relação qualquer como se fosse a grande coisa da minha vida. Assim aconteceu com algumas pessoas aqui em Brasília, e mais de uma vez. De repente me vi frequentando jantares e visitanto pai, mãe e etc, de gente que eu mal conhecia. Como consequência dessa intimidade instantânea, vem a invasão de privacidade e eu, que vivo de maneira pouco convencional, pois meus valores não são os dos outros, acabo recebendo advertências de pseudo-amigos que decidem ser sinceros comigo.
Nunca achei que sinceridade fosse uma grande qualidade, principalmente quando é usada como uma desculpa para as pessoas serem grosseiras. Convenhamos, em muitos momentos é melhor não expressar o que pensamos. Bem, mas eu já tive que ouvir gente dando pitaco na limpeza da minha casa, na conservação dos meus móveis, no que eu devo ou não gostar, no meu estilo de vida e assim vai. Normalmente eu fico quieta nas primeiras cinco vezes (algo assim) em que as pessoas decidem ser sinceras, mas em seguida eu começo a ser grosseira do nada, o que é péssimo.
Se as pessoas agem assim comigo, a culpa é minha, já que sou cúmplice nessa simulação de intimidade instantânea. Mas isso não exime de culpa quem é grosseiro ou invasivo. Carência, uma merda. Isso já se repetiu tantas vezes, que estou ficando com vergonha de mim mesma.
E tem aquela outra situação, em que a gente se aproxima de alguém por afinidade, para fazer algum trabalho junto, e a pessoa estranha nossa disponibilidade. É de se estranhar mesmo alguém muito disposto a colaborar em algum trabalho sem interesse nenhum. Só que eu sempre achei isso muito natural, porque foi assim que passei a adolescência no meu grupo de jovens, em que o povo fazia vaquinha para pagar a faculdade de um amigo em apuros sem cobrar nada depois. Mas isso não é possível no mundo real, é fato.
Daí eu começo a fazer alguns trabalhos no meu tempo livre e o que era voluntário, passa a ser tratado como obrigação. Como consequência acabei ouvindo que tinha que comprar um agenda para cuidar dos compromissos de outra pessoa (E DE GRAÇA!). Tenha dó, a que ponto minha desocupação chegou!
O pior é que, quando cada coisa dessa se desenrolava na minha vida, tinha algo gritando por dentro um NÃO bem redondo e eu fingindo que não ouvia porque precisava de-ses-pe-ra-da-men-te sair da mesmice solitária.
Um equívoco sempre. Amizade não vem enlatada, para adicionar um pouco de água e pronto. Será que consegui entender isso, enfim?
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Com a proximidade do meu aniversário sempre começo com essa coisa de "balanço existencial", afinal de contas é meu ano novo particular e a gente sempre tende a querer resetar a vida, como se isso fosse possível. Porém se auto-avaliar nunca é demais.
Tenho estado um tanto solitária. Acho que estou com medo de me relacionar, ou apenas querendo evitar as pessoas para poder pensar. Diminui a quantidade de e-mails, quase não entro em programas de chat, telefone, quase não uso mesmo.
Estar só me fez pensar em quando eu me esforço para ter companhia. Desde que cheguei em Brasília, fiz pouquíssimos amigos. A cidade é bem própria à solidão, pois as pessoas só se relacionam com conhecidos de infância/escola, pessoas do trabalho, ou por origem. Na cidade são poucos os paulistas que eu conheço, que não eram exatamente meus amigos em São Paulo, colegas de trabalho são difíceis de transpor para a vida cotidiana, e eu fiz faculdade virtual aqui.
No fim das contas a gente acaba forçando a barra para não ficar só. Eu nunca fui extremamente sociável, não sei se é coisa da minha cidade (tá, tem muito "popular" em São Paulo), apesar disso tenho bons amigos (muita gente nem acredita que eles existam), mas amizade é coisa que demora anos e anos para se concretizar. Sempre foi muito raro eu "frequentar" pessoas, agora uma coisa eu sempre constato quando isso se dá muito rápido: gente carente não serve para amigo.
Digo isso como via de mão dupla. Quando me sinto muito carente, fico disposta a me entregar a uma relação qualquer como se fosse a grande coisa da minha vida. Assim aconteceu com algumas pessoas aqui em Brasília, e mais de uma vez. De repente me vi frequentando jantares e visitanto pai, mãe e etc, de gente que eu mal conhecia. Como consequência dessa intimidade instantânea, vem a invasão de privacidade e eu, que vivo de maneira pouco convencional, pois meus valores não são os dos outros, acabo recebendo advertências de pseudo-amigos que decidem ser sinceros comigo.
Nunca achei que sinceridade fosse uma grande qualidade, principalmente quando é usada como uma desculpa para as pessoas serem grosseiras. Convenhamos, em muitos momentos é melhor não expressar o que pensamos. Bem, mas eu já tive que ouvir gente dando pitaco na limpeza da minha casa, na conservação dos meus móveis, no que eu devo ou não gostar, no meu estilo de vida e assim vai. Normalmente eu fico quieta nas primeiras cinco vezes (algo assim) em que as pessoas decidem ser sinceras, mas em seguida eu começo a ser grosseira do nada, o que é péssimo.
Se as pessoas agem assim comigo, a culpa é minha, já que sou cúmplice nessa simulação de intimidade instantânea. Mas isso não exime de culpa quem é grosseiro ou invasivo. Carência, uma merda. Isso já se repetiu tantas vezes, que estou ficando com vergonha de mim mesma.
E tem aquela outra situação, em que a gente se aproxima de alguém por afinidade, para fazer algum trabalho junto, e a pessoa estranha nossa disponibilidade. É de se estranhar mesmo alguém muito disposto a colaborar em algum trabalho sem interesse nenhum. Só que eu sempre achei isso muito natural, porque foi assim que passei a adolescência no meu grupo de jovens, em que o povo fazia vaquinha para pagar a faculdade de um amigo em apuros sem cobrar nada depois. Mas isso não é possível no mundo real, é fato.
Daí eu começo a fazer alguns trabalhos no meu tempo livre e o que era voluntário, passa a ser tratado como obrigação. Como consequência acabei ouvindo que tinha que comprar um agenda para cuidar dos compromissos de outra pessoa (E DE GRAÇA!). Tenha dó, a que ponto minha desocupação chegou!
O pior é que, quando cada coisa dessa se desenrolava na minha vida, tinha algo gritando por dentro um NÃO bem redondo e eu fingindo que não ouvia porque precisava de-ses-pe-ra-da-men-te sair da mesmice solitária.
Um equívoco sempre. Amizade não vem enlatada, para adicionar um pouco de água e pronto. Será que consegui entender isso, enfim?
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Comentários
Vudu é pra Jacu!
Curto a solidão, afinal se sou boa companhia para mim mesmo, por que não?
andre_rld@hotmail.com