Alfa e Ômega

Não são poucas as vezes em que sonhei que morri. Já levei alguns tiros na cabeça, com um grau de realismo em que senti o fluxo do sangue quente escorrendo. Também já fui atropelada, cai de um abismo, fui esfaqueada. Nunca morri afogada, nem nada parecido, acho que isso me angustiaria demais.
Depois de tantos sonhos, tenho entendido de um jeito diferente a tese de que a gente morre todo dia. São muitos fins a decretar a cada hora que se passa. Decidir quando um texto está pronto, quando parar de insistir em uma idéia que não vai para frente, dar um tempo pro amigo que não responde aos e-mails.
Todo dia vários fins, morrer um pouco a todo instante. Assim se vai mais um ano, daqueles bem difíceis. Esse foi cheio de fins de toda espécie, a maioria dolorosos, como eles costumam ser.
Mas não pretendo sofrer mais com isso tudo, a roda continua a girar e o caminho é longo pela frente, mesmo que o fim esteja próximo. Por isso mais um fim a decretar: a amargura deverá dar espaço a coisas mais doces.

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