Exagerada é a mãe


No caso, a mãe sou eu mesma. Agora, que este ano começa, percebo como foi uma constante no ano passado apontarem o dedo para mim e me chamarem de exagerada.
Exagerada, escandalosa, barraqueira, desequilibrada são aqueles adjetivos favoritos usados por quem quer desqualificar nossas reações sem a menor disposição para entender o que dói, porque dói, o quanto dói.
Exagerada porque decidi romper com familiares depois de terem colocado minha vida em risco, com violência física, psicológica e ameaçarem me jogar na rua.
Exagerada porque não consigo olhar direito na cara de quem criou uma situação esdrúxula para me obrigar a abrir mão da guarda do meu filho porque eu sou pobre.
Exagerada porque me indignei quando alguém decidiu que meu trabalho intelectual vale menos do que a suposta validação que esta pessoa estaria dando a ele, trabalho esse que faço voluntariamente.
“Não é nada demais”, “é vitimismo”, “você não entendeu o que eu falei”. A gente sofre a violência, depois sofre com as consequências psicológicas da violência (as duas primeiras que citei aqui desencadearam crises de ansiedade e pânico), depois sofre a nova violência de ser destratada porque não deveria estar sofrendo, isso vem em forma de desdém ou gaslighting.
Olha, não é mole não. Depois a gente mesmo fica achando que as coisas não andam na vida porque é fraca demais. Dois passos para trás e a gente vê que a porrada foi bem maior do que tinha percebido na hora. Agora sim, seguindo em frente sem esse peso.

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