Dois anos e meio

Faz dois anos e meio que meu corpo tomou consciência de que estava no maior processo de mudança que passou em toda a sua existência. E esse foi um momento em que me voltei para a natureza e me aceitar como sou em todos os detalhes, um processo de imersão. 
Cabelos brancos, as curvas que foram ganhando substância, peso, até que a pessoa nova criou vida própria e tudo diminuiu de uma vez. Inchaço, peso que foi diminuindo até estar bem menor do que minha média nos últimos quinze anos, peitos maiores e nada de menstruação. Por dois anos e meio. Uma jornada.
Essa semana, uma surpresa vermelha na calcinha. Parece que o ciclo se encerra assim, começo a retomar tudo o que deixei em suspenso, porque o processo de imersão me consumiu inteira. A vida toda focada em resolver uma vida inteira de rejeições familiares e datas comemorativas e relações sem sentido para não passar nada disso a diante. E o abandono da exploração trabalhista, mesmo isso trazendo privação. Não consegui. Pedi ajuda como nunca antes. Deixei que me amparassem e no fim isso virou amparo mútuo. Me larguei no mundo e ele me cuidou quando pensei que ia sucumbir. 
O corpo foi retomando o prumo e eu voltando a mim. Decidi pintar os cabelos de preto de novo. Pintar as unhas. Comer chocolate (fazia tempo). A ansiedade deu um tempo. Me sinto mais confiante. Um novo tempo de um novo eu ainda bem parecido com o eu antigo, mas incrivelmente mais leve. 

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