Mudar mudando
O que eu queria que entendesses é que sou uma
pessoa. Com certa inteligência, certa cultura, certa
sensibilidade. E certas idéias (que não te agradam).
Mudei muito, e não preciso que acreditem na
minha mudança para que eu tenha mudado. Essa
modificação vinha se processando sem que eu
mesmo percebesse e, com determinadas leituras
e determinadas vivências, ela se consumou.
Caio Fernando Abreu. Carta a Hilda Hilst
Tem dias que tudo parece diferente. Ainda que continue com esta sensação de estar paralisada e de não conseguir fazer coisas, às vezes as mais simples delas, sem uma profunda angústia e ansiedade. A vontade é de ficar parada no canto, observando.
Talvez seja porque tudo muda tão rápido que já há movimento demais à minha volta e fazer alguma coisa só vai aumentar ainda mais esta vertigem que sinto o tempo todo nesses dias que vivo um por um. Penso que nada acontece, mas vejo que muito já se passou.
São muitos olhos sobre mim, cobrando, querendo coisas. Eu sou essa pessoa não-pessoa vivendo tudo isso, porque não posso ter cansaço, desespero, vontades para mim. O que faço para mim é pelo bem coletivo, é o que esperam, espero, de mim.
Eu. Esse é o capítulo que começa a voltar ao centro.
Comentários