O contrário da indiferença
"Não ouvi o que dizias...
ouvi só a musica, e nem a essa ouvi...
Tocavas e falavas ao mesmo tempo?
Sim, creio que tocavas e falavas ao mesmo tempo...
Com quem?
Com alguém em quem tudo acabava no dormir do mundo..."
Álvaro de Campos
Foi muito cedo que eu descobri que certas situações me impedem de estar no cotidiano de algumas pessoas que eu gosto. Não foram poucas as vezes em que tive que me afastar de muita gente querida para manter a distância de apenas uma pessoa que me fazia muito mal. Para não criar um constrangimento generalizado, apenas saio de cena. Não acho justo fazer o joguinho "você gosta mais de quem" com as pessoas que eu tenho afeto sincero.
Parece injusto também eu não deixar que essas pessoas de quem gosto escolham estar comigo ou não, se também gostarem de mim, mas acontece que não rompo com elas, apenas paro de frequentar os ambientes de antes para não ser obrigada a me relacionar com quem me faz mal. Quem quiser me ver terá, claro, que fazer um esforço que não era necessário antes, algo que não cobro e entendo que não façam. Mas gostaria desse afago na alma, desse entendimento de que sou limitada e não consigo fingir que certas dores não doem, que eu preciso desse mimo e que talvez até o mereça verdadeiramente.
São relações que vão se esvaindo com o passar do tempo, na maioria das vezes. É triste, porém a distância que se estabelece pode querer dizer que quem fica longe tem mais semelhança com o que me fazia mal do que com o afeto que eu sentia. Talvez. O que sei, no fim, é que a vida segue seu rumo, inexoravelmente, e ela é mais sábia do que eu.
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