Parceirinho

"Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."
Gibran Kalil Gibran, O Profeta


Daí que eu tinha ouvido milhões de coisas mágicas, sobre experiências extrassensoriais, conexões espirituais. Que algo extraordinário acontece e você upa automaticamente de fase e se torna algo mais que os meros mortais. Estou aqui, esperando que algo do tipo aconteça. 
O que eu sei, e que sinto profundamente, é essa relação material, biológica, ele lá no seu compartimento reservado que eu carrego por onde vou até ele se libertar e ser pessoa. E isso me dá essa sensação de que não tenho controle nenhum da situação, nunca tive, nem quando ele decidiu existir e ficou quietinho até nós o descobrirmos já grandinho. 
O que posso fazer agora para que ele fique bem é cuidar de mim. Comer bem, dormir bem, não me estressar, fazer exercícios. Essas coisas que a gente deveria fazer o tempo todo, não só neste momento. E sou eu cuidando de mim e ele fazendo o que precisa pra viver bem, nós dois em parceria, porque a sua existência me obriga a pensar no meu próprio bem-estar, já que não estou sozinha nessa empreitada.
É assim que eu sinto, um ser totalmente independente de mim, mas que me dá um lugar reservado para assistir sua saga. Estarei por perto, mas nada dele é meu. Qual será nosso papel na história um do outro, só a convivência dirá. De resto, nada sei.

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