Cavalheiro

Hoje a zebrinha (o microônibus de Brasília) estava lotada. Fiquei em pé, como muita gente. Quando me dei conta estava do lado de um cara da marinha, exército, não sei de onde era, mas estava de uniforme, com boina e tudo.

Ele virou para mim e disse "senta aqui". E eu respondi "não precisa, vou descer logo". Mas ele insistiu com veemência. Me senti coagida a aceitar e aceitei, meio contrariada, meio chateada com a cena toda.

Contei para o Pedro (o namorado) e ele só me disse: "ESTOU SENDO CAVALHEIRO, PORRA!", ao falar do cara. Foi isso mesmo o que eu senti.

Lembrei imediatamente do que Regina Navarro falou sobre cavalheirismo (publicamos no Feminismo Inevitável), ao citar a historiadora canadense Bonnie Kreps: "Ela também considera que a noção de cavalheirismo é crítica para as mulheres. Que tipo de homem deseja proteger uma mulher? Certamente não seria um que a vê como uma igual, que a encara como um par. Mas aquele que se sente superior a ela. E como disse a atriz americana Mae West em um dos seus filmes: 'Todo homem que encontro quer me proteger… não posso imaginar do quê'".

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