A morte cotidiana das mulheres
“Eu nunca me deixei ser maltratada”. Soltei essa frase no meio de uma conversa semana passada e acabei pensando muito nela nos dias seguintes. Claro que já me trataram mal, mas o que eu quis dizer é que nunca achei normal que eu fosse tratada desse jeito. Pode parecer absurdo, só que o fato é que mulheres são educadas para achar normal os maus-tratos.
Não foram poucas as vezes que ouvi do meu pai que “se pelo menos eu fosse homem” teria direito de fazer o que quer que fosse que eu queria fazer naquele momento.
Da minha mãe ouvi coisas do tipo “você pensa que contigo vai ser diferente?”, quando eu ficava indignada com a brutalidade do meu pai com ela. Em certo momento entendi que é a conivência que faz com que um homem continue a maltratar uma mulher.
Faz um tempo li o livro Mas ele diz que me ama em que a autora relata sua própria experiência com um homem que quase a destruiu por completo, transformada numa história em quadrinhos. De maneira muito simples e direta ao ponto, ela conta como uma relação que começou como uma linda história de amor pode se transformar numa de abuso e perseguição e destruição do ego do outro.
Seria uma situação fácil de perceber, se não fossemos todas, mulheres, educadas a tratar com naturalidade o sacrifício e a não satisfação dos próprios desejos por causa do outro. Um horror histórico contra o qual temos que lutar todos os dias para deixar de ser cúmplices da nossa própria submissão.
Ontem cheguei no trabalho e me deram a notícia de que uma das ascensoristas havia sido assassinada pelo ex-marido com uma facada no peito. Uma relação que começou quando ela tinha por volta de dezessete anos, quando engravidou, acabou casando e tiveram mais um filho juntos. O abuso começou cedo, ela apanhava do marido. Decidiu se separar, começou a trabalhar na Câmara e, durante um ano, foi perseguida por ele (desde que saiu de casa). Na última quarta-feira, ela pediu para um colega nosso cópia da Lei Maria da Penha. No domingo, uma punhalada no coração, a última da sua curta vida.
Não foram poucas as vezes que ouvi do meu pai que “se pelo menos eu fosse homem” teria direito de fazer o que quer que fosse que eu queria fazer naquele momento.
Da minha mãe ouvi coisas do tipo “você pensa que contigo vai ser diferente?”, quando eu ficava indignada com a brutalidade do meu pai com ela. Em certo momento entendi que é a conivência que faz com que um homem continue a maltratar uma mulher.
Faz um tempo li o livro Mas ele diz que me ama em que a autora relata sua própria experiência com um homem que quase a destruiu por completo, transformada numa história em quadrinhos. De maneira muito simples e direta ao ponto, ela conta como uma relação que começou como uma linda história de amor pode se transformar numa de abuso e perseguição e destruição do ego do outro.
Seria uma situação fácil de perceber, se não fossemos todas, mulheres, educadas a tratar com naturalidade o sacrifício e a não satisfação dos próprios desejos por causa do outro. Um horror histórico contra o qual temos que lutar todos os dias para deixar de ser cúmplices da nossa própria submissão.
Ontem cheguei no trabalho e me deram a notícia de que uma das ascensoristas havia sido assassinada pelo ex-marido com uma facada no peito. Uma relação que começou quando ela tinha por volta de dezessete anos, quando engravidou, acabou casando e tiveram mais um filho juntos. O abuso começou cedo, ela apanhava do marido. Decidiu se separar, começou a trabalhar na Câmara e, durante um ano, foi perseguida por ele (desde que saiu de casa). Na última quarta-feira, ela pediu para um colega nosso cópia da Lei Maria da Penha. No domingo, uma punhalada no coração, a última da sua curta vida.
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