imperium brasilis
Nasci exatamente no meio da ditadura militar no Brasil. Dizem que eram dos anos mais duros e eu vivia no subúrbio operário, onde surgiram as principais lideranças sindicais que hoje comandam o país.
Éramos um dos países mais pobres do mundo e dos mais miseráveis da América do Sul. O país dos banguelas e dos analfabetos, como ficamos conhecidos naquele tempo.
Um certo orgulho nacionalista nos tomou quando saímos da ditadura para um tempo da "constituição cidadã", uma esperança nos tomou quando algumas daquelas lideranças da virada começaram a assumir o poder. Sim, me lembro que era esse o sentimento quando FHC assumiu a presidência, ele era importante liderança da esquerda brasileira nos tempos de exceção. Quando a principal liderança operária asssumiu, então.
Enriquecemos, deixamos de ser uma país de analfabetos, graças a programas sociais assistencialistas grande parte da população agora faz parte da chamada classe c, uma nova classe média que já tem o direito de se endividar como é de praxe aos da classe média.
Daí que estamos entre os países mais ricos do mundo, emprestando dinheiro para o FMI, o nosso ex-presidente foi eleito o homem mais influente do mundo em diversas publicações importantes, a nossa presidenta a mulher mais influente. Um orgulho.
Como um país de terceiro mundo, somos bombardeados com a cultura dominante desde a fundação do país. Portugal, Inglaterra, França, Estados Unidos. Foi nesta época que cheguei ao mundo, nosso país totalmente influenciado pela cultura do Tio Sam. Nossas rádios com as músicas "deles", nossas tvs com os filmes "deles".
E agora nesse tempo? Por aqui as coisas continuam as mesmas, mas no restante da América do Sul, quanta diferença. Ivete Sangalo, Zezé di Camargo e Luciano, Paulo Coelho, todas as novelas globais são um constante na vida dos nossos hermanos. Uma tristeza imensa ir tomar café em Montevidéu ao som do mais trash do sertanejo universitário brasileiro.
Daí compramos uma caixa de fósforo na rua. "Que linda", comentamos e o cara disse "é brasileira". Constrangimento. Precisei de um cotonete em Buenos Aires e comprei com nominho bonitinho, achei que era local, "feito em Santa Catarina, Brasil".
Lembrei do filme Whisky, em que a protagonista era fã de Tony Ramos. E uma menininha cantava num cassino uruguaio "é o bicho é o bicho, vou te devorar, crocodilo eu sou" em espanhol. É isso, somos um império e o que exportamos de nosso não é Machado de Assis, assim como não recebemos Hemingway "deles".
Éramos um dos países mais pobres do mundo e dos mais miseráveis da América do Sul. O país dos banguelas e dos analfabetos, como ficamos conhecidos naquele tempo.
Um certo orgulho nacionalista nos tomou quando saímos da ditadura para um tempo da "constituição cidadã", uma esperança nos tomou quando algumas daquelas lideranças da virada começaram a assumir o poder. Sim, me lembro que era esse o sentimento quando FHC assumiu a presidência, ele era importante liderança da esquerda brasileira nos tempos de exceção. Quando a principal liderança operária asssumiu, então.
Enriquecemos, deixamos de ser uma país de analfabetos, graças a programas sociais assistencialistas grande parte da população agora faz parte da chamada classe c, uma nova classe média que já tem o direito de se endividar como é de praxe aos da classe média.
Daí que estamos entre os países mais ricos do mundo, emprestando dinheiro para o FMI, o nosso ex-presidente foi eleito o homem mais influente do mundo em diversas publicações importantes, a nossa presidenta a mulher mais influente. Um orgulho.
Como um país de terceiro mundo, somos bombardeados com a cultura dominante desde a fundação do país. Portugal, Inglaterra, França, Estados Unidos. Foi nesta época que cheguei ao mundo, nosso país totalmente influenciado pela cultura do Tio Sam. Nossas rádios com as músicas "deles", nossas tvs com os filmes "deles".
E agora nesse tempo? Por aqui as coisas continuam as mesmas, mas no restante da América do Sul, quanta diferença. Ivete Sangalo, Zezé di Camargo e Luciano, Paulo Coelho, todas as novelas globais são um constante na vida dos nossos hermanos. Uma tristeza imensa ir tomar café em Montevidéu ao som do mais trash do sertanejo universitário brasileiro.
Daí compramos uma caixa de fósforo na rua. "Que linda", comentamos e o cara disse "é brasileira". Constrangimento. Precisei de um cotonete em Buenos Aires e comprei com nominho bonitinho, achei que era local, "feito em Santa Catarina, Brasil".
Lembrei do filme Whisky, em que a protagonista era fã de Tony Ramos. E uma menininha cantava num cassino uruguaio "é o bicho é o bicho, vou te devorar, crocodilo eu sou" em espanhol. É isso, somos um império e o que exportamos de nosso não é Machado de Assis, assim como não recebemos Hemingway "deles".
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