Eu e a nova moda da vez, do ano retrasado

Faz alguns anos que a onda “samba rock” domina o ambiente universitário e as festas dos descolados.
Esse fenômeno me lembra o famigerado forró universitário, com a diferença que se “resgata” (outra palavrinha abominável) as gravações originais dos anos 70.
Quando eu era criança, na longínqua região de Parelheiros, esse tipo de música era associado aos pobres, favelados, que eram chamados de Função, como uma gangue de black music nos primeiros anos após o fim da ditadura.
É bom lembrar que naquele tempo ainda não existia um movimetno hip hop organizado, ou difundido, que acabou surgindo neste meio mesmo algum tempo depois.
O fato é que ouvir Jorge Ben era coisa de alienado para o meio intelectual, era ser conivente com a opressão, pois era música de conformista.
Para mim, este tal movimento de resgate tem mais interesses comerciais que culturais, mais uma moda estética de pseudo afirmação cultural e que deve enjoar logo, logo, como aconteceu com o forró, aliás.
Eu, particularmente, não sou muito chegada no estilo, apesarde entender sua importância. Talvez por um trauma de infância.
No início da minha adolescência, eram comuns as festas de garagem para comemorar os aniversários. O momento mais aguardado dessas festinhas era o da música lenta, com, ou sem, a dança da vassoura, quando a gente tinha os primeiros contatos com o sexo oposto.
Era sempre um disco do “melhor internacional de novelas”, com todas aquelas cafonices que faziam nossa cabeça.
Dois amigos meus, que são irmãos, sempre faziam suas festinhas em casa, quando apareciam os principais gatinhos da vizinhança e ficávamos ansiosas, todas, pela música lenta. Mas o pai dos rapazes, o dono da casa, já estava sempre meio alto nesta altura da festa e metia um Jorge Ben (que ainda não era Jor) na vitrola.
Foram anos de festa e sempre acontecia a mesma coisa, no meio da dança. E essa é uma das principais lembranças que tenho do Jorge Ben.

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Outro motivo para eu não me empolgar tanto com essa “nova” onda, é que eu já a vivi, na minha vida junto ao Furacão 2000 e ouvindo black music ainda criança nos bailes do colégio, como registrei na passagem do Afrika Bambaata por Brasília, em 2008.

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